Voltar ao topo

ANGELO BONELLI EM SÃO PAULO - TURISMO, VIDA URBANA E SUSTENTABILIDADE COMO AGENDA DO SETOR.

Angelo Bonelli em São Paulo - Turismo, vida urbana e sustentabilidade como agenda do setor.

Em visita ao Brasil, o deputado italiano Angelo Bonelli, uma das principais lideranças ambientais da Itália e referência da agenda verde europeia, foi recebido em São Paulo por dirigentes do turismo, representantes da hotelaria, bares, restaurantes, eventos, academia, entidades empresariais e convidados.

Além de cumprir agendas junto ao setor político e institucional, Bonelli fez questão de dialogar também com organizações da sociedade civil e entidades representativas do setor produtivo. Entre elas, a CNTur — Confederação Nacional do Turismo, que organizou o encontro em parceria com entidades do turismo, incluindo o SindHotéis-SP — Sindicato das Empresas de Hotelaria e Estabelecimentos de Hospedagem de São Paulo e Região Metropolitana.

O encontro teve como objetivo promover uma conversa sobre os desafios contemporâneos do turismo, especialmente em temas que hoje impactam diretamente a vida das cidades: sustentabilidade urbana, preservação dos territórios, regulação das plataformas de hospedagem de curta temporada, qualidade da experiência turística, moradia, competitividade da hotelaria formal, conservação ambiental e cooperação internacional.

Durante a visita, Bonelli respondeu a questionamentos dos convidados e compartilhou a experiência italiana com o chamado overtourism, alertando que o crescimento turístico, quando não é acompanhado por regras claras e planejamento urbano, pode produzir efeitos graves sobre os centros históricos, a moradia, o comércio local e a própria sustentabilidade das cidades.
 

O turismo e a sustentabilidade da cidade

Um dos pontos centrais do encontro foi a discussão sobre os efeitos das plataformas de locação de curta temporada, como Airbnb, Booking e sistemas semelhantes, especialmente quando operam sem regulação adequada.

O debate não se limitou à concorrência com a hotelaria formal. A preocupação apresentada foi mais ampla: a de que a transformação acelerada de imóveis residenciais em hospedagens temporárias pode reduzir a presença de moradores permanentes, pressionar os preços dos aluguéis, enfraquecer o comércio local e modificar a própria natureza dos bairros.

Para os participantes, uma cidade sustentável não é apenas aquela que recebe turistas. É aquela que continua sendo habitável, diversa, economicamente viva e socialmente equilibrada. Quando moradores são afastados dos centros urbanos, desaparecem também relações de vizinhança, serviços cotidianos, pequenos comércios e parte da vida que dá identidade à cidade.

Nesse sentido, foi destacado que a sustentabilidade do turismo passa também pela sustentabilidade da cidade. Não basta aumentar o fluxo de visitantes se esse crescimento esvazia os territórios de quem os constrói diariamente: seus moradores, trabalhadores, pequenos empresários e comunidades locais.
 

A experiência italiana e o alerta de Bonelli

Bonelli relatou a situação vivida em cidades italianas, especialmente em Roma, onde o avanço descontrolado da hospedagem de curta temporada tem contribuído para o esvaziamento de áreas residenciais e para o aumento da pressão sobre os aluguéis.

Segundo o deputado, em muitos prédios do centro histórico, apartamentos antes ocupados por famílias foram convertidos em hospedagens temporárias. Para ele, esse processo compromete a vida urbana e transforma bairros tradicionais em espaços voltados quase exclusivamente ao consumo turístico.

Bonelli classificou esse modelo como um “turismo predador”, que passa pela cidade sem criar vínculo duradouro com a população local e sem fortalecer, de forma equilibrada, a economia do território.

O deputado defendeu que países como o Brasil devem agir antes que o problema alcance a gravidade observada em grandes cidades europeias. Ele destacou que a regulação da hospedagem de curta temporada é uma medida necessária para proteger moradores, equilibrar a concorrência com a hotelaria formal e garantir que o turismo contribua para cidades mais vivas, diversas e sustentáveis.
 

Um recado para São Paulo

Durante o encontro, Bonelli demonstrou interesse pela dinâmica do turismo paulistano e fez perguntas aos presentes sobre o perfil do visitante da cidade, os fluxos de negócios, eventos, cultura e lazer.

O deputado elogiou o potencial cultural de São Paulo e ressaltou que a cidade pode ocupar um espaço importante na construção de uma agenda de interconexão cultural e institucional entre Brasil e Itália.

Ao mesmo tempo, alertou que São Paulo deve observar com atenção os processos vividos por cidades europeias. Para Bonelli, o turismo pode ser um grande vetor de desenvolvimento, mas precisa ser acompanhado por políticas urbanas, ambientais e regulatórias que preservem a vida da cidade.

Representantes da hotelaria paulistana relataram ao deputado que o setor no Brasil já acompanha com preocupação o avanço das plataformas de hospedagem de curta temporada e articula, na Câmara Municipal de São Paulo, uma proposta de regulamentação da atividade. A expectativa é que o modelo em discussão possa servir de referência para outras cidades brasileiras.
 

Sustentabilidade, territórios e diálogo com o Instituto Veadeiros

A agenda ambiental também esteve presente no encontro a partir da participação do Instituto Veadeiros, presidido por Pablo Rezende, organização que atua na Chapada dos Veadeiros, no Cerrado brasileiro.

Por meio de gravação exibida durante o evento, Pablo apresentou a atuação do Instituto em temas como conservação ambiental, segurança hídrica, créditos de carbono, restauração de ecossistemas, gestão de resíduos e soluções baseadas na natureza.

A participação do Instituto Veadeiros reforçou o diálogo iniciado com a CNTur sobre a relação entre turismo, conservação territorial e sustentabilidade aplicada. A preocupação central é compreender como a preservação dos biomas, das águas, das paisagens naturais e dos territórios pode impactar positivamente o turismo brasileiro.

Para a CNTur, esse diálogo representa um primeiro passo para aproximar o setor de metodologias, projetos e iniciativas capazes de transformar a sustentabilidade em uma agenda prática para hotéis, hostels, bares, restaurantes, eventos, destinos turísticos e empreendimentos de diferentes portes.

A reflexão apresentada pelo Instituto Veadeiros também mostrou que a conservação ambiental pode gerar novas oportunidades econômicas, fortalecer destinos turísticos e contribuir para que recursos associados à valorização ambiental permaneçam no Brasil, beneficiando os próprios territórios que sustentam a atividade turística.

Ao retomar a palavra, Bonelli endossou a conexão entre conservação ambiental e turismo. Segundo ele, em qualquer lugar do mundo, quanto maior a conservação da biodiversidade e dos territórios, maior a capacidade de fortalecer uma proposta turística de qualidade.
 

Cooperação institucional Brasil–Itália

Bonelli também se colocou à disposição para apoiar articulações concretas entre Brasil e Itália. Durante o encontro, foram mencionados temas como cooperação institucional, intercâmbio cultural, turismo sustentável e fortalecimento de agendas entre cidades brasileiras e italianas.

O deputado também comentou a possibilidade de ampliar diálogos em torno do acordo de geminação entre São Paulo e Milão, vigente desde 1961, sugerindo que a cooperação possa avançar para incluir pautas ambientais, ecológicas, culturais e turísticas.

Outro tema abordado foi a situação de descendentes de italianos no Brasil que enfrentam longos prazos para obtenção de cidadania e passaporte italianos. Bonelli sugeriu que o setor formalize um pedido documentado sobre o tema, comprometendo-se a encaminhar a questão a interlocutores institucionais italianos.
 

Participação das entidades e convidados

O encontro foi conduzido por Nei Feniar, Secretário-Geral da CNTur e Vice-Presidente do SINDRESBAR-SP, juntamente com Ivan Baldini, Secretário-Geral do SindHotéis-SP e Diretor de Hotelaria da CNTur, Jorge Henrique Jafet Ajaj, Esdras Leite Santos, José Antonio Cardoso Brandão, Diretores do Sinhotéis-SP, acompanhados por Ênio Miranda, Diretor de Planejamento Estratégico e Governança Corporativa da FHORESP, Cesinha Ferreira presidente da APRESSA- Associação Paulista de Bares, Restaurantes, Eventos, Casas Noturnas, similares e afins;

Virgilio Nelson da Silva de Carvalho, Coordenador do Fórum Permanente de Empregabilidade em Turismo e Eventos da Secretaria Estadual de Turismo e membro da academia Brasileira de Eventos e Turismo.

Também participaram representantes de entidades do setor, empresários da hotelaria, proprietários de negócios turísticos, organizadores de eventos, docentes universitários e convidados ligados às áreas de turismo, sustentabilidade, cidades e cooperação institucional.

Entre os presentes destacamos Guaraci Edson Fagundes, presidente do Partido Verde de Santa Catarina e dirigente nacional da área de Direitos Humanos do Partido Verde; José Brito de França Presidente do Partido Verde da Cidade de São Paulo; Gilberto Tanos Natalini, ex-vereador de São Paulo e ex-secretário municipal do Verde e Meio Ambiente; Luciana Feldman Chefe de Gabinete da Secretaria Municipal de Mudanças Climáticas; além de representante do IMBRICS+ Brasil, Instituto Internacional dos Municípios dos Países BRICS+; Eduardo Buitron Diretor executivo do Sindicato da Industria de Café do Estado de São Paulo; Paulo Gaba Vice-Presidente da Confederação Nacional do Trasporte (CNT)/CIT; Luciano Menezes, proprietário do Paradiso Hostel; Júlio Chiqueto, professor doutor e docente da FLACSO — UNESCO Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais; Dr.Alexey Dortzvort Magnavita docente da USP e membro do Institutos de estudos avançados da UNIFESP; Dr. Celso dos Santos Silva Presidente da AREGALA INTERNACIONAL e COZINHEIROS SEM FRONTEIRAS; Ms Marina Lindemberg Lima, docente da FATEC São Paulo; Lukas Savvas, representante do Mentore Bank; Ricardo Alegransi, sócio do escritório tributarista Mazzucco & Mello.

A diversidade dos participantes reforçou o caráter amplo do encontro, que reuniu visões da hotelaria, hospedagem independente, bares, restaurantes, eventos, academia, setor empresarial e entidades representativas.
 

Encaminhamento

Ao final, as entidades reforçaram que o turismo brasileiro precisa tratar sustentabilidade de forma ampla, integrando meio ambiente, cidades, moradia, economia local, regulação, conservação dos territórios e qualidade da experiência turística.

A visita de Angelo Bonelli mostrou que os desafios enfrentados por cidades europeias podem servir de alerta para o Brasil. O crescimento turístico precisa ser planejado para fortalecer as cidades, e não para esvaziá-las de seus moradores, enfraquecer sua diversidade econômica ou descaracterizar seus territórios.

O encontro também indicou a disposição das entidades em manter aberta uma agenda de diálogo com o deputado e com interlocutores italianos e europeus, além de aprofundar a aproximação com iniciativas brasileiras como o Instituto Veadeiros, especialmente em temas ligados à sustentabilidade, conservação ambiental, créditos de carbono, segurança hídrica e turismo responsável.

Para a CNTur e as entidades presentes, o evento representou um passo importante para ampliar a reflexão sobre o futuro do turismo no Brasil, com atenção à sustentabilidade das cidades, à preservação dos destinos e à construção de soluções aplicáveis à realidade brasileira.


Assessoria de Comunicação — CNTur / SindHotéis-SP  / Sindresbar



ENTIDADES COLIGADAS